A arte da guerra semântica no fascismo, por Jason Stanley.

Em Nosso discurso público cada vez mais fascista, Jason Stanley adverte sobre o risco de adotar-se o vocabulário da extrema-direita na disputa política e na construção de narrativas conflitantes. Por isso, diz ele, é indispensável chamar as coisas pelos nomes que verdadeiramente as descrevem:

Estou profundamente preocupado com o fato de nosso uso lingüístico em mudança estar pavimentando o caminho para resultados antidemocráticos, incluindo as versões modernas do fascismo, que não refletirão precisamente as formas que conhecemos no passado. Dado esse perigo, é de vital importância não se esquivar de rotular o perigo do que é.

Stanley é professor de filosofia da linguagem, mas em diversas passagens de seu texto lembrei bastante de um pequeno texto de Pierre Bourdieu A arte de resistir às palavras, publicado no Brasil na coletânea Questões de Sociologia, que usei bastante para dar aulas de introdução à sociologia. Nele Bourdieu diz que a sociologia deve nos ensinar a resistir a palavras que de tão gastas pelo uso excessivo e pouco rigoroso perdem o significado e se tornam vazias, podendo assumir sentidos os mais diversos, como nos slogans políticos, nas chamadas publicitárias e nas notas jornalísticas.

Stanley está mais preocupado com a guerra semântica promovida pela direita e com as consequências reais (políticas, econômicas, sociais) dos diferentes usos da linguagem:

Historicamente, os movimentos fascistas foram caracteristicamente muito sintonizados com a importância da guerra semântica e as formas pelas quais as práticas da fala moldam e formam hábitos de pensamento. Assim como Hitler, em Mein Kampf, expressou uma relutante admiração pelas táticas de propaganda da Primeira Guerra Mundial dos Aliados Ocidentais, nós também deveríamos reconhecer a sofisticação do uso da linguagem pelos fascistas contemporâneos. Só então podemos empurrar de volta contra isso.

E conclui:

Além disso, não sabemos se é possível adotar a linguagem da histeria sobre esquerdistas, sindicatos, marxismo, gênero e imigrantes sem também adotar outras partes do pacote fascista. Nós não sabemos se o fascismo é um jogo de linguagem holístico. Aqui, os melhores guias vêm da nossa própria história. Os intelectuais de Klemperer a James Baldwin nos alertaram sobre os custos da derrota na guerra semântica, que perdemos adotando o vocabulário de nossos inimigos.

Continue lendo o restante do texto aqui, no blog do Nassif.

https://jornalggn.com.br/noticia/a-arte-da-guerra-semantica-no-fascismo-por-jason-stanley/

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