A Ecologia de Duna.

Um dos apêndices de Duna, o genial romance de Frank Herbert, é sobre a ecologia de Duna, onde somos apresentados à vida e obra de Pardot Kynes, o primeiro planetólogo de Arrakis, o planeta conhecido como Duna onde se desenvolve o romance de Frank Herbert (HERBERT, Frank. Duna. São Paulo: Aleph, 2017).

Deixo vocês com alguns trechos do pensamento de Pardot Kynes:

“Passado um ponto crítico no interior de um espaço finito, a liberdade diminuí à proporção que os números aumentam. Isso vale tanto para os seres humanos no espaço finito de um ecossistema planetário quanto para as moléculas de um gás num recipiente hermeticamente fechado. A pergunta, no caso dos humanos, não é quantos conseguirão sobreviver dentro do sistema, e sim que tipo de vida levarão aqueles que sobreviverem.”

“Existe uma beleza de movimento e equilíbrio que é reconhecida internamente em qualquer planeta salutar ao homem. Vê-se nessa beleza um efeito estabilizador e dinâmico essencial a toda a vida. Seu objetivo é simples: manter e produzir padrões coordenados de diversidade crescente. A vida melhora a capacidade de um sistema fechado de sustentá-la. A vida – todas as formas de vida – está a serviço da vida. Os nutrientes necessários a ela são disponibilizados pelas formas de vida numa variedade cada vez maior à medida que a diversidade da vida aumenta. A paisagem inteira ganha vida, cheia de relações dentro de relações dentro de relações.”

(De uma aula de Pardot Kynes)

O que o analfabeto em ecologia não percebe em relação a um ecossistema é que se trata dê um sistema. Um sistema! Um sistema mantém certa estabilidade fluída que pode ser destruída por um deslize em apenas um nicho. Um sistema tem ordem, uma correnteza que flui de um ponto a outro. Se algo represar a correnteza, a ordem desmoronará. Os inexperientes talvez só percebam esse desmoronamento quando já for tarde demais. É por isso que a função mais elevada da ecologia é a compreensão das consequências.

 

Para mim, esta postagem tem uma forte conexão com uma outra em que copio um trecho do livro De repente, nas profundezas do bosque, do Amós Oz. Nas duas um olhar sistêmico para a vida, a beleza e a necessidade da diversidade para o desenvolvimento da vida, a relação sistêmica entre as diferentes formas de vida. E isso tudo me remete às ideias de Gregory Bateson sobre a vida, “o padrão que une”. Em breve posto alguma coisa do Bateson aqui no blog e dai faço uma atualização aqui para dar o link.

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