Cartas a um amigo alemão. Primeira carta. Por Albert Camus.

“Não, não posso acreditar que seja necessário subjugar tudo aos fins que cada um têm em vista. Há meios que são indesculpáveis. E eu gostaria de poder amar o meu país, amando ao mesmo tempo a justiça. Para ele não desejo uma grandeza qualquer, tal como a do sangue ou a da mentira. É fazendo reinar a justiça que eu quero fazê-lo viver.” (p. 20). “Nunca acreditei no poder da verdade pela verdade. Mas já é suficiente saber que, dispondo de armas iguais, a verdade vence a mentira. Foi esse equilíbrio difícil que nós alcançá-los. E hoje combatemos apoiados nessa nuance. E sinto-me tentado a dizer-lhe que lutamos exactamente pelas nuances, mas por certas nuances que assumem a envergadura do próprio ser humano. Lutamos pela nuance que separa o sacrifício da mística, a energia da violência, a força da crueldade, e pela nuance, essa mais delicada ainda, que separa o falso do verdadeiro e o homem que esperamos dos deuses pusilânimes que vós adorais.” (p. 30-31)

As Cartas a um amigo alemão foram escritas e publicadas na clandestinidade por Albert Camus durante a II Guerra Mundial com o objetivo de “esclarecer um pouco o cego combate que nos opunha e, desse modo, tornar esse combate mais eficaz”, como explicou Camus no prefácio à edição italiana, quando pediu que fossem lidas como “um documento da luta contra a violência”.

Copiei aqui trechos da Primeira Carta, que foi publicada no número 2 da Revue Libre em 1943. A edição em português foi publicada em Lisboa pela editora Livros do Brasil:

CAMUS, Albert. Cartas a um amigo alemão. Lisboa: Edição Livros do Brasil.

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